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Edição #150
janeiro de 2012
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Operação de Vídeo: A colorimetria em áreas externas
BALANCEAMENTO DE COR
por Glauco Paganotti 27/01/2012
Na edição anterior definimos as diferenças entre a iluminação e a operação de vídeo. Vimos que é função do operador de vídeo alinhar as câmeras, batendo o branco e o preto antes de começar a gravar ou transmitir ao vivo uma cena. Bater o preto e o branco significa equilibrar as cores captadas pelas câmeras de acordo com a luz ambiente.

No interior das câmeras existem sensores conhecidos como CCD ou CMOS que compensam as diferenças, somando ou subtraindo as cores vermelho, verde e azul. Essas três cores, também conhecidas pela sigla internacional RGB, são as cores-luz primárias, e com a mistura delas consegue-se todas as outras cores necessárias à reprodução da cena.

Vale lembrar que a cor-luz é inversamente proporcional à cor pigmento, pois na cor-luz a soma proporcional do RGB em relação à luz incidente vai resultar no branco, e a ausência de luz é o preto. Já na cor-pigmento, a soma gera o preto e a ausência de tinta gera o branco.

Durante a exibição ou gravação de um produto televisivo podem ocorrer variações de intensidade luminosa e de colorimetria, e, sem dúvida nenhuma, um dos principais desafios dos profissionais de vídeo é manter essa diferença equilibrada.

ESTÚDIO X EXTERNA

Dentro de um estúdio convencional de televisão usamos dispositivos chamados refletores de luz. No interior desses refletores existem lâmpadas com filamento de tungstênio, gás halogênio ou outras substâncias que irradiam a luz de forma artificial. Por serem artificiais, as luzes utilizadas em estúdios são controladas, e com isso há um equilíbrio preciso do contraste e das cores da iluminação.

Em áreas externas, a temperatura de cor é geralmente muito alta graças a efeitos naturais existentes. Diferente dos estúdios, que têm uma iluminação controlada, em situações externas não será possível modificar a luz natural do sol, por exemplo, pois ela reflete em uma área muito extensa, como praia, campo de futebol...

A LUZ DO DIA

A luz natural do dia é composta basicamente por duas temperaturas de cor: o sol com a cor mais quente (vermelha) e o céu com a cor mais fria (azul). Nas áreas da cena onde não há incidência direta dos feixes luminosos do sol (ou seja, na sombra), a luz solar não somará à luz azul do céu, logo nessas regiões a luz terá uma temperatura mais fria ou azulada. Já quando o "sol desce" na linha do horizonte, sua luz torna-se mais presente e o resultado será uma luz com uma temperatura de cor mais quente.

JOGOS DE FUTEBOL

Aplicando esses conceitos à prática, vou ilustrar com um jogo de futebol lembrando uma situação que ocorre no Maracanã no final da tarde. As características arquitetônicas do estádio Mário Filho são conhecidas por todos: visto de cima, o arco formado pela cobertura das arquibancadas cria um círculo com uma moldura robusta. Quando o sol "se aproxima do horizonte", sua sombra, que antes vinha de cima (pinada), muda sua angulação e, com isso, essa sombra projetada no campo pelo arco das arquibancadas aumenta. Nessa situação, teremos, no campo, duas temperaturas de cor diferentes.

Quando os jogadores forem para o lado onde está sol, ficarão mais amarelados ou avermelhados, e a imagem nessa região, onde o sol incide, terá uma temperatura de cor mais baixa ou mais quente. Já quando a bola for para uma área onde houver sombra, além do nível de vídeo baixar, a imagem terá um aspecto mais frio, com a temperatura de cor mais alta, ou azulada.

Quando a sombra ocupar toda a área do campo, a correção da colorimetria das câmeras para essa nova temperatura trará o branco de volta e a imagem deixará de estar azulada. Nesse momento em que a "tarde cai", as luzes do estádio são acesas, bombardeando as lentes das câmeras de vermelho. Novamente a correção vai sendo suavemente refeita até que as lâmpadas se aqueçam e a colorimetria da imagem se estabilize. Lembrando que, se houver lâmpadas com cores diferentes, tudo ficará muito mais difícil. Mas vamos deixar para falar de luz artificial na próxima edição.

Como vimos, então, qualquer variação na intensidade ou na cor da luz será percebida pelas câmeras, mesmo que seja uma pequena mudança em apenas um componente de cor. A sensibilidade das câmeras é diferente da do olho humano. Inferior, é claro, pois os olhos enxergam muito mais cores, enquanto a câmera é uma adaptação em constante modificação, sempre em busca de um olhar mais humano.

TEMPERATURA DE COR

Diferentemente da temperatura térmica, quanto mais baixa for a temperatura de cor na escala de graus Kelvin, mais quente será a cor. Neste caso, mais vermelha ficará a imagem se não for corrigida. Ao contrário, quanto mais alta for a temperatura de cor, mais azul será a imagem. Confira a seguir a tabela que mede essas temperaturas de cor na escala de graus Kelvin:
Existem duas temperaturas de cor consideradas "padrão" na televisão: 3200º K e 5600º K. Em estúdio, foi convencionada a temperatura de 3200º K, sendo 5600º K o comum em externas. Como podemos ver na tabela, conforme ocorrem as variações solares, a colorimetria de um dia vai muito além dos 5600º K. Essa variação também pode ocorrer em estúdio, onde podemos utilizar, em vez de 3200º K, outras temperaturas de cor, como, por exemplo, 5600º K. Ou seja, nada impede que esses padrões estabelecidos por vários profissionais, emissoras ou produtoras sejam modificados por novos conceitos.

Para ilustrar essa situação, vamos imaginar um refletor com uma lâmpada de 3200º K iluminando uma pessoa em uma praia. Como já sabemos, a temperatura em ambientes externos é mais fria, aproximadamente 6500º K, por exemplo. O resultado será uma pele mais dourada, enquanto o fundo da cena - nesse caso, o mar e o céu - ficará mais azulado, criando, assim, um efeito bem interessante para uma boa fotografia. Por outro lado, colocando todas as luzes de um estúdio em 5600º K, por exemplo, será possível corrigir aquela cor azulada de uma TV que faz parte de um cenário.
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