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Edição #151
fevereiro de 2012
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Operalção de Vídeo: Operando vídeo com iluminação artificial
por Glauco Paganotti 19/02/2012
ILUMINAÇÃO X OPERAÇÃO DE VÍDEO
Você já presenciou algum momento constrangedor protagonizado por um iluminador e um operador de vídeo ou até mesmo um desentendimento entre eles em um set de gravação? Nestas situações surgem várias perguntas que trazem dúvidas sobre o que devemos fazer para melhorar a imagem. Corrigimos a luz ou ajustamos o vídeo? Até onde atua a iluminação em uma produção televisiva? Quando a operação de vídeo contribui para uma boa imagem? Qual dessas - ou quantas dessas - perguntas você já se fez? Nesta edição da seção Operação de Vídeo vamos ver alguns conflitos entre o iluminador e o operador de vídeo e também entender o que podemos fazer em benefício dessa relação.

Durante uma gravação existem situações que causam problemas na qualidade da imagem, e muitos desses problemas podem ser resolvidos pelo operador de vídeo. Porém, é importante lembrar que o operador de vídeo ajusta as câmeras para a luz que essas recebem da cena, sendo o iluminador responsável pelo controle da iluminação, que pode ser natural ou artificial.

TRAZENDO A COR ESTOURADA DE VOLTA

Existem funções nas câmeras de vídeo que ajudam o operador a resolver alguns problemas causados por uma iluminação deficiente ou inadequada. A função knee limita (segura) os picos do branco de uma determinada região, reduzindo a sensação de cor estourada (esbranquiçada). Para exemplificar, vamos imaginar uma gravação com apenas um apresentador vestindo uma camisa amarela. Nesse caso, se, na iluminação, algum dispositivo refletor estiver em uma posição desproporcional aos demais, o resultado não será uma luz uniforme, e, com isso, a camisa terá regiões em que incidirá mais luz, saturando o brilho da cor amarela.





Quando não for possível corrigir a luz, acionamos a função knee das câmeras, trazendo de volta a cor amarela uniforme da camisa. Existem vários ajustes do knee para essas áreas estouradas. O "knee saturation", por exemplo, resolveria o problema que ilustrei, enquanto o "knee aperture" traz mais definição para as partes estouradas da imagem. Existem também o "knee point", "knee slop" etc: cada um com uma função específica para as áreas saturadas.


Portanto, quando as características da cor dos objetos são distorcidas pela forte intensidade da luz, pode-se fazer a correção na operação de vídeo. Porém, é importante ressaltar que, ao acionarmos essa função, comprimimos os picos do branco dos objetos, e, junto deles, várias outras áreas de brilho da cena também serão alteradas (achatadas). Se mal aplicada, essa função pode tornar sua imagem "empastelada", como se todos os planos estivessem em um só, acabando com a profundidade da cena.

É importante lembrar que existem situações em que a imagem está totalmente saturada devido à abertura excessiva do diafragma das câmeras. Nesta situação em que a massa (e não os picos) de vídeo está alta, é só fechar o diafragma (aumentando o número de abertura) que o problema será resolvido. Porém, quando somente alguma região está saturada (mesmo com os níveis de abertura do diafragma corretos), aciona-se a função knee, resolvendo a saturação de intensidade de uma região específica da cena.

GRAVAÇÃO DE DVD

Uma situação que lembro sempre, pois até hoje ainda ocorre em muitas gravações de DVD, é o intenso conflito que ocorre entre o iluminador e o operador de vídeo por causa da diferença absurda da intensidade de luz entre o palco e a plateia. A maioria dos iluminadores ainda insiste em manter um clima na plateia, colocando menos luz para o público.


Isso pode resultar em um desastre na operação de vídeo, pois uma variação muito grande na intensidade da luz pode não dar ao operador de vídeo chances de fazer as devidas correções a tempo. Outro problema causado pela ausência de luz é a abertura máxima do diafragma das câmeras, e caso não seja suficiente, será necessário dar ganho na imagem. O ganho é uma função que aumenta a relação sinal-ruído de uma imagem, e, conforme aumentamos, acrescentamos pequenos pontos brancos, resultando em uma imagem de aspecto granulado.

Como as câmeras enxergam menos do que os olhos humanos (oito vezes menos nas câmeras SD), a imagem captada tem os seus contrastes acentuados, e, com isso, os tons de cinza que existem na cena ficarão mais escuros. Na escala de cinzas o resultado será menos cinzas e mais preto, e, na prática, a imagem ficará mais escura.


Por esse grande motivo, torna-se necessário colocar na iluminação uma luz base que servirá para manter a massa de vídeo em seu padrão técnico. A luz base é responsável por equilibrar a leitura dos contrastes de forma suficiente a dar leitura mínima à cena sem comprometer tecnicamente a qualidade da imagem. Na maioria das vezes, essa luz base branca compromete o clima do show para o olho humano. Mas quando se trata de uma captação por câmeras de vídeo, de uma gravação de DVD, ela é indispensável.

É importante ressaltar que há situações excepcionais em que será necessário eliminar essa luz: quando há intenção de criar algum efeito artístico específico, quando a plateia da gravação estiver vazia ou quando a luz destaca alguma informação desnecessária aos interesses do produto produzido, por exemplo.


A LUZ BASE PARA O VÍDEO

Quando eu vou projetar uma iluminação para algum programa de televisão, uma gravação de algum DVD, um filme publicitário ou qualquer outro produto para ser captado por câmeras, geralmente crio três subgrupos de luz: o contraluz, a luz do cenário e a luz de frente, que é a luz principal. A luz de frente é responsável por definir as características principais do assunto, e vamos usá-la para definir alguns conceitos sobre a luz base para o vídeo.

Diferente da luz de efeito, a luz base não pode ter cores intensas ou saturadas, pois ela é responsável por identificar o assunto principal de forma clara. Quando iluminamos pessoas, o que tentamos fazer é deixá-las o mais agradável possível para as câmeras. Ou seja, os contornos precisam estar bem definidos e a pele precisa estar com cores reais, naturais, revelando as características básicas das formas.

Na luz base pode haver mais de um refletor, e, caso haja, todos eles precisam estar na mesma temperatura de cor, pois servirão como base para a reprodução de todas as outras cores. Misturar refletores com temperaturas de cor diferentes pode resultar em distorção das cores, pois o operador de vídeo não saberá para qual temperatura equilibrar as cores das câmeras.

Se usarmos alguns fresnéis com a temperatura de 3.200º Kelvin em uma luz base e colocarmos os canhões, por exemplo, em 5.600º Kelvin, quando o operador for alinhar as câmeras, será preciso decidir qual será a temperatura de cor que será a base, para as câmeras reproduzirem com fidelidade todas as outras cores. Supondo que a temperatura de cor escolhida seja a do Fresnel (3.200º K), ao alinhar as câmeras para essa temperatura, quando a luz do canhão for captada pelas câmeras, será reproduzida uma imagem azulada.

Da outra forma, ao alinharmos as câmeras para os 5.600º K do canhão, a área iluminada pelos fresnéis reproduzirá uma imagem com cores amarelas ou vermelhas. Portanto, ao definir a temperatura de cor ideal para a cena, será necessário colocar todas as outras fontes de luz de frente com temperaturas equivalentes, exceto o contraluz, a luz de cenário e as demais luzes de efeitos.

Em uma gravação de DVD, por exemplo, a luz base serve para limpar as intensas saturações das cores das luzes de efeito. Os refletores geralmente utilizados como luz base são os fresnéis e os fluorescentes, que são muito utilizados em estúdios; o elipsoidal e os canhões, encontrados em shows, e o sol, presente em áreas externas.


AO OPERADOR DE VÍDEO

Os operadores de vídeo precisam ter a consciência de que os diretores de fotografia necessitam, em algumas produções, manter as câmeras com a abertura do diafragma em 1.8 (abertura máxima) por alguma estratégia em sua concepção fotográfica, para dar profundidade na cena, com desfoque no fundo, ou outras situações. Mesmo sabendo que essa abertura máxima limita a atuação do operador de vídeo, se a luz estiver bem fotometrada (medida com fotômetro), as câmeras de vídeo vão capturar bem a cena. Porém, qualquer diminuição na fonte de luz será de responsabilidade do iluminador ou diretor de fotografia, pois o operador não poderá mais resolver o problema de falta de luz. Para isso, o operador de vídeo precisa acertar tudo com o iluminador ou diretor de fotografia, ensaiando com o diretor do programa.

Geralmente, o primeiro plano (onde se encontram os cantores principais em uma gravação de DVD) vai estar mais bem iluminado do que o segundo e o terceiro planos (onde se encontram os demais artistas). Para que as variações entre esses planos não fiquem exageradas quando captadas pelas câmeras, a cena - nesse caso, o palco - precisa ser medida com o fotômetro e o colorímetro, pois embora pouco perceptíveis ao olho humano, as variações podem ser enormes para a leitura dos componentes eletrônicos de uma câmera. Já operei vídeo em vários DVDs em que existiam dois stops de diferença do diafragma da câmera entre um plano e o outro. O operador de vídeo precisa certificar-se de que a luz base de um espetáculo tenha suaves variações de intensidade, além de pequenas e controladas variações de cor, para que a câmera de vídeo não as transforme em imagens escuras ou claras demais, com grandes erros de colorimetria.

AO ILUMINADOR

Os iluminadores devem ter a mesma consciência de um operador de vídeo: quando um show vai ser gravado, ele se torna um DVD, e o diretor de fotografia vai planejar e executar a adaptação. Nesse caso, os olhos humanos deixam de ser os principais captadores de luz, passando essa função para as câmeras de vídeo, que são limitadas eletronicamente. Sendo assim, torna-se obrigatório o uso do fotômetro, pois quando as câmeras forem abertas (ligadas), o operador de vídeo, utilizando o vector e o wave form, vai verificar cada ponto da cena iluminada.

O que geralmente vejo nas gravações de DVD são canhões de luz com uma temperatura de cor muito mais fria do que os outros dispositivos de luz. Os canhões, assim como todas as luzes que compõem a luz base, precisam estar com as temperaturas iguais ou muito próximas entre si para que a imagem não tenha cenas com cores muito diferentes e saturadas. Caso esse efeito faça parte de alguma cena específica, no momento da concepção artística o iluminador deve avisar ao operador de vídeo, ensaiando junto com o diretor do programa para que essas situações excepcionais não sejam motivos para mais uma história de desentendimento entre iluminadores e operadores.

TODOS FELIZES PARA SEMPRE

Para que a paz sempre se estabeleça no set, é importante que um profissional ouça bem o outro, com cada um expondo suas ideias e conceitos de forma clara, porém não incisiva, pois as visões serão sempre contaminadas pelos conhecimentos específicos de cada profissional, e será impossível - creio eu - chegar a uma verdade absoluta.

Nesta situação, o respeito aos conhecimentos técnicos e artísticos de cada um precisa ser equilibrado para ser bem compreendido. Unidos, o iluminador e o operador de vídeo tornam-se uma parte vital no processo de formação da imagem.

Agradecimentos: Alecsandro Menezes (fotografado nas imagens 1, 2 e 5).

Formado em jornalismo, Glauco Paganotti trabalha há 11 anos nos estúdios da Globosat como iluminador e operador de vídeo.
Possui vasta experiência em diversos produtos de várias produtoras e emissoras de TV.

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