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Edição #152
março de 2012
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Operação de Vídeo: A importância da locação
por Glauco Paganotti 11/03/2012
RECONHECIMENTO DA ÁREA

Geralmente antes de escolher um lugar para gravar uma cena, a produção vai, junto com os responsáveis técnicos, até o local e avalia as condições do ambiente. Nesse momento, os produtores, ou o diretor, observam as características artísticas da cena em relação ao roteiro proposto pelo programa. Os técnicos (operador de áudio, iluminador, eletricista ou supervisor de engenharia) são os responsáveis por executar esses desejos artísticos, garantindo a qualidade na captação da imagem e do som. Nesse caso, o barulho de uma obra próxima ao set ou uma corrente forte de vento chamaria a atenção do técnico do áudio. Já a posição do sol em relação à cena e a localização da câmera e do apresentador, por exemplo, seriam as observações feitas pelo iluminador ou operador de vídeo.

Após se reunirem e discutirem os pontos positivos e negativos, as equipes de produção e técnica chegam a uma conclusão e, quando aprovam a área, ela é alugada (ou locada) pela produção. Hoje em dia, quando fazemos uma visita a uma área onde se pretende gravar uma cena, dizemos que vamos fazer uma locação, mas também usamos esse termo para definir lugares diferentes para as cenas.

CARACTERÍSTICAS DAS LUZES NO SET DE GRAVAÇÃO

Definidos os conceitos, vamos agora compreender melhor a importância da locação para um operador de vídeo. Identificar as fontes de luz de uma cena é o primeiro passo para o sucesso de uma boa imagem. De onde surge a luz desse ambiente? O que ilumina essa superfície? Como é iluminado o assunto principal desta cena? Essas são as principais questões que devem ser feitas. Quando um operador de vídeo vai ao palco de um show, ao campo de futebol, à quadra de vôlei ou sai do switcher (sala de controle) para ir ao estúdio ou ao set de gravação, ele identifica os diferentes tipos de refletores, reconhecendo primeiramente quais são os responsáveis pelo fornecimento da luz base, por exemplo.

Como vimos na edição passada, a luz base é a luz mais próxima do branco e serve de referência para a câmera de vídeo enxergar todas as outras cores. Por mais criativa ou inusitada que seja a luz base, sua temperatura de cor precisa ser próxima do "branco" (entre 3.200° K a 5.600° K) para que a câmera tenha uma boa leitura dos contornos do objeto. Caso contrário, com uma iluminação de efeito criada por conceitos artísticos específicos, esse tipo de luz pode não identificar bem as características básicas dos objetos da cena.



Geralmente, antes de algum evento, procuro o iluminador responsável, ou até o diretor de fotografia, e - quando necessário e possível - sugiro adaptações para melhorar a captação da imagem com as câmeras de vídeo. Estes profissionais podem responder à maioria das nossas perguntas, resolvendo, acredito eu, mais da metade dos nossos problemas.

ESTÁDIOS DE FUTEBOL

Quando não existir iluminador no local a ser gravado, vá você mesmo na área que a imagem será captada pelas câmeras e faça a locação. Numa partida de futebol, por exemplo, sugiro que o operador de vídeo vá até o campo e visualize a grama, pois em muitas cidades do Brasil o sol intenso castiga bastante os gramados dos estádios, e em vez de verde, o tapete onde rola o espetáculo tem uma cor amarelada. Em alguns casos, no mesmo gramado existem áreas amareladas e esverdeadas, dificultando ainda mais a operação de vídeo. Portanto, é muito importante ir até o campo observar a cor da grama, verificando também a luz que incide nele, a cor das arquibancadas e de todo o resto da cena.

No estádio do Engenhão, localizado na cidade do Rio de Janeiro, existem alguns desafios para o operador de vídeo que usarei como exemplo para ilustrar a importância da locação. O gramado do estádio não tem uma cor homogênea, ou seja, existem regiões amarelas e outras verdes. Outro problema são as cadeiras das arquibancadas, que, por serem azuis, rebatem a luz com esta cor, tornando toda essa região da cena muito mais azulada. Além disso, em dias de sol forte, o arco que circula a arquibancada projeta sombras muito marcadas no campo.



Já à noite, a iluminação não é uniforme, ocasionando a saturação de algumas áreas do gramado. Há ainda outra questão da luz noturna, como lembra Waltuir Elias, operador de vídeo há mais de 30 anos. "Os refletores têm temperaturas de cor diferentes entre si, o que torna a imagem amarelada em algumas regiões e azulada em outras", destaca. Devido a essa situação, precisamos fazer uma média no alinhamento do branco das câmeras para equilibrar o erro de colorimetria da iluminação do estádio.



A LOCAÇÃO EM ESTÚDIOS

Já no estúdio, a situação é mais confortável, pois as características da luz são controladas por um iluminador e as variações são bem menores. Identificar os refletores responsáveis pela iluminação também não será um grande desafio caso o operador de vídeo conheça as características básicas dos refletores da cena. Como sou iluminador, tenho contato diário com diversos dispositivos de iluminação, portanto aproveito para descrever algumas características básicas das luzes produzidas pelos principais refletores, bem como o resultado após serem captadas pelas câmeras.

O refletor de luz fluorescente é muito utilizado em estúdios, pois sua intensidade é relativamente fraca e a luz gerada é suave, sendo ideal para iluminar pessoas sem produzir contrastes muito fortes.



Já os refletores chamados fresnel, com seus feixes de luz direcionais, produzem uma luz dura, resultando em uma imagem naturalmente contrastada e com contornos bem marcados.



O elipsoidal emite uma luz mais direcional que o fresnel, criando um efeito mais recortado ainda graças à sua luz mais concentrada, que produz altos contrastes, com sombras extremamente fortes e marcadas na cena iluminada.



Para o elipsoidal, vou abrir um parágrafo exclusivo, pois me lembro de vários casos em que a utilização inadequada desses dispositivos causou muitos problemas na gravação. Este refletor precisa estar em um ângulo entre 30 e 45 graus em relação à cena para que a sombra gerada por ele não se torne tão presente. Em alguns eventos, como congressos, entregas de prêmios ou gravações de DVD, por exemplo, o elipsoidal é muito utilizado, e eu, é claro, sempre vou ao local onde as câmeras são colocadas para conferir a posição desses dispositivos de luz, pois já tive muitas dificuldades para conseguir manter os níveis de vídeo em seu padrão técnico por causa da utilização incorreta do ângulo do elipsoidal.



ÁREAS EXTERNAS DE DIA

Saber onde nasce o sol e se o céu estará aberto ou cheio de nuvens, entre outras questões, é fundamental a um operador de vídeo nas áreas externas. Ao olhar para o céu e identificar a posição do sol, é possível saber, por exemplo, em que direção estará a sombra na superfície. Observando e acompanhando o deslocamento do sol, pode-se prever a trajetória da sombra em relação à cena, e, com isso, antecipar as devidas correções.

Como grandes difusores naturais, as nuvens volumosas filtram os raios solares, dificultando sua chegada à superfície. Quando intensas, elas cobrem todo o céu, impedindo que a cor azul imprima no vídeo. Nas locações feitas em áreas externas, várias outras situações, até mesmo meteorológicas, como a possibilidade de chuva, devem ser sempre avaliadas com muita cautela.



ÁREAS EXTERNAS COM ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL

No Sambódromo do Rio de Janeiro, a iluminação tem uma temperatura fria adequada às áreas externas mesmo em eventos realizados durante a noite. Porém, existem algumas lâmpadas com temperaturas mais quentes do que outras, o que causa uma variação de cor na imagem. Provavelmente, quando as lâmpadas queimam, a substituição por outra de temperatura equivalente deveria ser feita. No entanto, o que vemos é uma falta de rigor nessas reposições. Com isso, o resultado no vídeo é percebido facilmente na câmera do plano geral: quando não há escola alguma desfilando, é possível identificar as cores diferentes da luz que incide no chão branco da Passarela do Samba.



Após conferir qual é a fonte de luz e como essa luz se comporta no vídeo, o operador de vídeo volta para o switcher ou para a UM (unidade móvel), sendo capaz de prever o que precisará ajustar para minimizar ou mesmo eliminar os possíveis problemas.

Ir ao set de gravação fazer a locação, observando bem as características da luz que o ilumina, é como descobrir os truques para tornar a mágica perfeita.

Formado em jornalismo, Glauco Paganotti trabalha há 11 anos nos estúdios da Globosat como iluminador e operador de vídeo. Possui vasta experiência em diversos produtos de várias produtoras e emissoras de TV.
E-mail:glaucop@globosat.com.br
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