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Edição #149
dezembro de 2010
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Operação de Vídeo: O que faz um operador de vídeo?
Diferenças básicas entre a iluminação e o vídeo nas produções televisivas
por Glauco Paganotti 18/12/2011
Minhas primeiras palavras nesta nova seção da revista são de agradecimento à Luz & Cena por me dar a oportunidade de dividir com o seu público leitor algumas experiências importantes na rotina de um operador de vídeo - função pouco conhecida, mas importantíssima em qualquer captação de imagens com mais de uma câmera. Em segundo lugar, deixo aqui registrada minha grande satisfação em fazer parte da "equipe Luz & Cena", que, sem dúvida nenhuma, traz à luz conceitos teóricos e práticos vividos no dia a dia de diversos profissionais das artes visuais.

A minha intenção será sempre sugerir temas para discutir situações vividas pelos operadores de vídeo profissionais, identificando problemas e soluções e compreendendo uma parte do processo de formação da imagem na TV. Para isso precisamos entender algumas diferenças entre a iluminação propriamente dita e a captação da luz através das câmeras - ou operação de vídeo.

"...E DISSE DEUS: HAJA LUZ!"


Nesse momento nasce o sol, com seus feixes de luz dura e avermelhada produzidos graças às grandes explosões em sua superfície. Com a enorme quantidade de gases químicos, essas explosões geram muita radiação, que viaja por quilômetros até chegar em nosso planeta. Essa radiação está dentro de um espectro de luz visível ao olho humano. Como podemos ver, essas ondas de radiação são físicas, ou seja, elas se deslocam no espaço físico e, ao se encontrar com a superfície, refletem as características percebidas pelo nosso olho. Chamamos esse fenômeno de iluminação. É claro que existem vários outros conceitos ou abordagens que definem iluminação, mas vamos, por enquanto, nos prender a essa definição.

Ao acender um refletor com lâmpada com filamento de tungstênio, por exemplo, a corrente elétrica passa por esse filamento gerando calor, e este gera uma luz também visível ao olho humano. Outro exemplo seria os dispositivos de LED, que contém diodo em seu interior, e, assim como os gases químicos lá do sol, em contato com outras substâncias geram luz visível. As câmeras de televisão convencionais foram programadas para "enxergar" exatamente esse espectro de luz visível, que vai de aproximadamente 400 a 700 nanômetros. Quando as ondas físicas de luz são captadas pela lente da câmera e convertidas em impulsos elétricos, elas são processadas pelo CCD ou CMOS das câmeras. Nesse momento, o que era luz transforma-se em vídeo - essa é a diferença básica entre iluminação e vídeo.

Vetor de cores (vector): na análise objetiva, utiliza-se o instrumento. Já na etapa subjetiva, o que vale é a percepção do indivíduo.

Os impulsos elétricos são convertidos em sinais de vídeo que são monitorados em formas de ondas (waveform) e de vetor de cores (vector). O waveform monitora a intensidade luminosa de uma cena: com seus picos de branco (níveis mais altos), as intensidades intermediárias ou mais baixas (cinzas) e a ausência total de luz (preto). Já o vector é um instrumento importantíssimo para monitorar a reprodução das cores. É com ele que corrigimos o preto e o branco das câmeras. Ajustando o preto (setup) da câmera e ajustando o branco - que é a soma de todas as cores-luz - teremos uma reprodução de todas as outras cores da forma mais fiel possível.

VÁRIAS VARIÁVEIS

Assim tudo parece muito fácil, né? É só ajustar (bater) o preto e o branco das câmeras, nivelar as intensidades do vídeo - abrindo ou fechando o diafragma das câmeras - e pronto? Não! Felizmente, a resposta é não. Durante a gravação ou exibição ao vivo, as condições de luz podem mudar, principalmente em áreas externas, onde as variáveis são inúmeras. Dentre elas estão a variação de cor (temperatura medida em graus Kelvin) e a intensidade do sol, por exemplo. Outras adversidades, como acendimento de luz artificial do campo durante uma partida de futebol no final da tarde, ou até mesmo problemas técnicos podem ser resolvidos na operação de vídeo.

São inúmeras as variáveis de temperatura de cor (colorimetria) e de intensidade luminosa em algumas situações, mas, na prática, o olho humano percebe pouco dessas variações. Quando essas informações chegam ao cérebro, ele as processa formando imagens de maneira inteligente, tornando-as, assim, o mais agradável possível aos nossos olhos. Um exemplo clássico é quando entramos em um ambiente mais escuro do que aquele no qual estávamos. Nos primeiros segundos não enxergamos bem as formas, certo? Mas logo em seguida as correções necessárias são feitas em nosso cérebro; neste caso, com a dilatação da pupila (abertura da íris), que nos faz enxergar mais detalhes do ambiente.

Percebemos, então, que, diferentemente do nosso cérebro, a câmera de vídeo ainda não é totalmente independente no que diz respeito à formação da imagem. Ela precisa ser ajustada pelo operador de câmera ou por um operador de vídeo, quando temos duas ou mais câmeras interligadas em um mesmo sistema.

FUNÇÕES E CONCEITOS

Além desses exemplos, existem várias outras funções específicas ajustadas por um operador de vídeo que podem ter conceitos extremamente técnicos (objetivos) ou extremamente artísticos (subjetivos). Em alguns casos temos a junção desses dois conceitos, que precisam ser interpretados com clareza. É o operador de vídeo quem vai reproduzir com fidelidade as cores reais de uma cena no caso do jornalismo, como em jogos de futebol, vôlei, ou outros eventos. Já na dramaturgia ou em gravações de DVD, por exemplo, também é sua função tornar real a ideia ficcional ou imaginária do diretor de fotografia.

Felizmente, as câmeras de vídeo ainda não são programadas com conceitos artísticos, daí a importância da presença de um operador no set. Como um artista impressionista que pinta uma tela com perfeição nos detalhes - assim é o operador de vídeo e seu trabalho. Sendo que, na TV, a tela pintada tem vida e está em constante movimento.

 
Formado em jornalismo, Glauco Paganotti trabalha há 11 anos nos estúdios da Globosat como iluminador e operador de vídeo. Possui vasta experiência em diversos produtos de várias produtoras e emissoras de TV. E-mail: glaucop@globosat.com.br 
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