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Edição #152
março de 2012
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Vídeoclipe: Retrô pós-moderno
Película com excesso de grãos dá charme a novo clipe da cantora Céu
por Rodrigo Sabatinelli 11/03/2012
foto: Divulgação
A cantora e compositora Céu lançou, no final do mês passado, pelo selo Urban Jungle, em parceria com a Universal Music, seu novo CD, Caravana Sereia Bloom. E mal o disco chegou às lojas, Retrovisor, a primeira música dele a ser trabalhada, ganhou videoclipe.Dirigido a quatro mãos pelos parceiros Renan Costalima e Ivo Lopes Araújo - que também assina a fotografia -, com figurino de Isadora Gallas, o filme foi rodado nos arredores da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Mais precisamente na ponte que liga a ilha ao continente, em um bar e à beira de uma estrada.



De acordo com Renan, que em entrevista exclusiva à Luz & Cena contou detalhes sobre a produção, "a música pedia por uma locação distante da cidade, um local que não fosse urbanizado". Convidado para o projeto pela própria Céu, que ao ver alguns de seus vídeos em seu site (www.alumbramento.com.br), encontrou similaridade com o que pensava para o single.

Para Ivo, os conceitos têm o poder de nortear e aproximar pessoas que estão envolvidas criativamente numa produção. "Mas, na prática", explica ele, "a intuição, a capacidade de adaptação e as limitações que se impõem sobre o processo é que definem o seu resultado".

IMAGENS ORGÂNICAS SÃO FEITAS EM 16MM

Para registrar as imagens, o diretor utilizou uma câmera Bolex (película de 16mm), na qual rodou duas latas de filme Fuji 200, do tipo daylight, além de dois rolos vencidos de filme. No material captado, a granulação dos fotogramas e a baixa iluminação são características mais que perceptíveis.

A opção estética, que se mostra nitidamente mais orgânica, é justificada pelo próprio Renan. "O filme que usamos não era de ISO alto, portanto acabamos tendo que puxar dois ou três stops, 'chamando', com isso, os grãos", diz.



"Esse projeto teve uma produção bem simples, pois procuramos uma estética que mantivesse o naturalismo nas imagens. Durante o dia, usamos somente iluminação natural. À noite, na cena feita no interior do bar, quis manter uma penumbra, usando, para isso, apenas a luz do farol de um carro", completa ele.

Renan também lembrou que, além da exploração dos grãos, as imagens ganharam uma "cara" por conta da grande quantidade de takes propositalmente desfocados - mostrando que a ousadia é a tônica do projeto, já que, geralmente, os diretores priorizam imagens mais limpas, mais "informativas", e menos artísticas - e da forma como a câmera foi operada: na mão.

"O foco preciso não caberia na proposta que vínhamos desenvolvendo. Como disse anteriormente, nossa intenção era manter um clima de naturalidade. Portanto, tudo estava muito mais perto da imprecisão do que da precisão. A introdução da música, feita com o som da bateria de um [teclado] Casio Tone, traz uma atmosfera mais caseira. Ela nos deu, por exemplo, a condução do percurso que queríamos: algo simples, que trouxesse um caráter impreciso", explica, detalhadamente. "Tudo foi feito na mão, para trazer esse clima mais íntimo e postal, de um olhar que estava ali junto, mais próximo do que uma câmera neutra, imparcial", complementa.



Quem também comenta a opção por uma câmera mais livre, menos estática, é Ivo. "Céu soube se jogar para dentro das imagens, feitas com muita liberdade, e isso as tornou ainda mais fortes. Foi um verdadeiro encontro", observa ele, que sempre que usa sua Bolex, trabalha sem tripé.



FOTOGRAFIA CONTEMPLATIVA VALORIZA CONCEITO

Logo nos primeiros segundos de execução, o expectador percebe que em Retrovisor os takes são bastante contemplativos, como, por exemplo, os de planos mais abertos. Outros, no entanto, têm um aspecto mais voyeu - são um pouco mais distantes e, digamos, com o uso adaptado da palavra, "silenciosos".

Segundo Renan, esse mix de planos foi feito com o objetivo de criar atmosferas distintas para o filme. "Alguns takes eram mais reflexivos, nos quais Céu não se relacionava com a câmera, mas em outros ela interagiu como se a câmera fosse alguém presente na cena, contracenando com ela", pontua.

A fotografia, diz o diretor, era fundamental para a construção dessa espécie de curta-metragem que conta a história da canção. O desafio, porém, foi gerar imagens que totalizassem, pelo menos, quatro minutos de material editado. "Já tínhamos a trilha, e as cenas deviam ser bem precisas para preenchê-la. Na verdade, acima de tudo, a direção e a fotografia tinham que potencializar ao máximo a atuação da Céu, que soube passar com total naturalidade a personagem que ela cria dentro da música", diz.



Todo o processo foi feito com muita conversa, e, na hora de rodar, fomos encontrando juntos o que funcionava. Ela fotografa muito bem, sem medo da câmera, não se inibe e entrou completamente no universo da personagem", completa Renan.

"Filmamos cerca de 40 minutos de negativos com a Céu dançando no ritmo da música. Na sequência, Renan organizou as imagens num ritmo que melhor dialogasse com a música. E taí o clipe", comenta Ivo, dono de um olhar mais pessoal do que técnico.



O clipe, do ponto de vista do expectador, em determinado momento deixa o ar sombrio de lado e se transforma. Algumas imagens que representam essa "transformação" são aquelas em que os flaires - entradas de luzes intensas no corpo ótico das câmeras - tomam conta das lentes. A explicação para essa colocação é dada pelo próprio Ivo.

"Existiam dois momentos: um em que Céu vive a noite e o outro em que vaga pelo dia. Em algumas horas, buscamos cenas contemplativas, bonitas. Queríamos dar uma noção de passagem de tempo, afinal de contas, assim como a personagem passa por uma transformação, a atmosfera também muda. Mas em nenhum momento buscamos nos aproximar de uma linguagem pop", encerra.
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