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Edição #118
maio de 2009
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Galeria: Iperó: o caminho dos tropeiros e da luz do sol
por Daniela Castilho 10/05/2009
foto: Daniela Castilho
Iperó fica aproximadamente a 130 km da cidade de São Paulo. Formou-se por causa da rota dos tropeiros que pousavam ali. Dom Pedro II teve uma casa na região, em um local onde hoje é a Floresta Nacional. Em Iperó, há também o Centro Experimental Aramar, da Marinha do Brasil.

A ideia da nossa visita à cidade era de apenas registrar as possíveis locações para filmar um documentário, então estávamos com equipamento mínimo: apenas uma câmera fotográfica digital simples. Não íamos fotografar muito. Ao menos, achávamos que não.

Chovia, íamos escutando todas as direções de nosso guia com atenção. Nossa missão era descobrir tudo o que a cidade tivesse de interessante para criar um documentário. Não é tarefa fácil, por mais que os lugares tenham interesse histórico, que tenham várias coisas interessantes para narrar - e olha que Iperó tem material de sobra. O mais importante em um filme é a imagem. Tínhamos que localizar uma história ali, no meio das informações que estávamos recebendo. Mas mais do que isso, tínhamos que visualizar um filme ali.

Chegamos à fazenda Ipanema, berço da fundição no Brasil. Presto sempre muita atenção quando estou trabalhando, mas mesmo atenta, ainda não enxergava o filme. Ainda não via um fio condutor para a narrativa, um filme que pudesse emocionar quem o assistisse, que cativasse o espectador e o fizesse ver e escutar tudo que quiséssemos.

Chegamos à Casa das Armas Brancas, uma construção com quase 200 anos, onde existia uma forja primitiva e onde praticamente todas as armas brancas da Guerra do Paraguai foram fabricadas.

Entramos, por uma porta baixa, na construção que me recordou uma igreja românica, por ser compacta e não usar argamassa. Toda construída em pedra, com encaixe e força da gravidade.  Dentro daquele prédio, encontrei outro prédio, impressionante, com arcos que dão para a área externa e um tremor causado pelas duas quedas-d´água, uma dentro do salão onde estávamos e outra do lado de fora.

O meu filme estava ali. A emoção e a beleza estavam ali. Eu e a minha assistente Andrea ficamos paralisadas pela beleza. Poderia passar uma semana ali, sem me mexer. A luz do dia nublado, chovendo, filtrada pelos arcos, era indescritível. As poucas e modestas fotos que batemos não fazem justiça ao lugar.

Achei meu filme, a bateria da câmera acabou, vamos voltar em breve para uma sessão fotográfica maior. E, na minha cabeça, ecoava o comentário do saudoso fotógrafo de cinema Mario Carneiro, de que nada no mundo se compara à luz natural.

Daniela Castilho é artista plástica, designer e diretora de arte.
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