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Edição #227
agosto de 2010
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Surround - Psicoacústica
"Fica nítido, portanto, o fato de que todo o aparato que envolve a sonorização em surround tem uma função mais do que meramente física. Precisamos atuar também de forma a impressionar sensorialmente o ouvinte"

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Sim, já há no Brasil equipamentos de captação, mixagem e pós-produção necessários para áudio 5.1
Sim, a mão de obra já está amplamente preparada para lidar com esta tecnologia
Não, pois pequena parte das emissoras e produtoras possui o aparato técnico necessário para tal
Não, pois são poucos os especialistas em captação, mixagem e pós-produção de áudio 5.1 para TV
Sim, as principais emissoras e produtoras possuem todas as condições técnicas e de pessoal para isso
 
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sábado, 18 de março de 2006
 Lugar da verdade voltar 
O estúdio sem vidro por Enrico de Paoli
Há algum tempo escrevi um artigo sobre o envolvimento musical de um engenheiro nos dias de hoje, nas produções de hoje, e com as ferramentas que usamos hoje. Como o assunto não deixou de ecoar na minha cabeça, continuei conjeturando, pensando e analisando as transformações de mercado. Poucos são os músicos hoje que não têm uma estação de gravação, mixagem e masterização em casa. Assim como poucos são os engenheiros que não têm familiaridade com algum instrumento musical, afinal. Nesse artigo que escrevi, chegamos à conclusão de que o mouse pode ser um instrumento bem poderoso.

Chegamos a chamar alguns engenheiros mais envolvidos com a música de "sound designers". Aqueles que, através de seus talentos, fazem novos sons, novas vozes, novos ritmos, novas levadas ou grooves através da tecnologia. Lembro que cheguei a fazer a comparação e me perguntei por que alguém que programa um sampler que contém teclas, ou mesmo um módulo MIDI de sampling, entra na categoria músico e, com a evolução da tecnologia, esse mesmo profissional, ao usar ferramentas virtuais (como um Pro Tools), deixa de ser músico.

Indignado com esse pensamento, rodei o mundo atrás de uma solução para a seguinte questão: por que engenheiros, mixers, sound designers não são reconhecidos como músicos e não recebem os direitos conexos de execução pública que programadores de loops, samplers, MPCs e sequencers recebem? Afinal, o Pro Tools não deixa de ser um sequencer que, além de gravar pedaços de MIDI, grava e reorganiza pedaços de áudio!

Me encontrei com diversos engenheiros no Rio de Janeiro. Fiz reuniões com advogados da área de direitos autorais, tentando pensar em um jeito de esse reconhecimento passar a ser oficial pelas instituições arrecadadoras de direitos. Mas parecia um caminho difícil, longo. (Mas ainda não desisti. A evolução tecnológica, querendo ou não, influencia os hábitos das gerações.)

O Brasil é um país abarrotado de leis, emendas, medidas provisórias, etc. É tanta burocracia arcaica nos freando que faz com que despachante no nosso país seja uma profissão de carreira, e o termo desembaraço é usado oficialmente em documentos federais!

Comprovei mais uma vez a idade das leis quando peguei o telefone e liguei para uma dessas instituições arrecadadoras de direitos. Para minha surpresa, nem mesmo programação constava como categoria com direitos! Então fui mais a fundo. Existem discos de que participei, pelos quais recebo duas vezes na mesma música, uma tocando teclados e a outra fazendo programações. "Minha senhora, por favor, faça um levantamento dessa música, pela qual eu tenho certeza de que há mais de dez anos recebo direitos de programador." Ela insistiu não ser possível e, quando achou a música na tela do computador dela, disse "aqui constam teclados e percussão".

Ok. mais uma peça no meu quebra-cabeça. Peguei o telefone e liguei para um antigo colega de trabalho, o veterano Marcelo Sussekind, produtor e engenheiro de gravação, mixagem e PA. Ao conversar com ele, Sussekind finalizou o jogo com uma canastra real: "Enrico, tendo trabalhado dos dois lados, como engenheiro e como produtor, eu sei quando um mixer ou sound designer está exercendo um papel musical. Nesse caso sou o primeiro a incluir seu nome na lista de músicos no GRA da música." Entendi perfeitamente o recado e incrível elegância do Sussekind.

Sabendo que temos leis antigas, da época do carvão, e sabendo também que a modernização dessas leis pode levar outros quinhentos anos, a solução encontrada foi, através de elegância e bom senso, contornar essa regra incluindo o engenheiro como músico no documento de pedigree do fonograma. Isso não quer dizer que um engenheiro vai aparecer como guitarrista em uma ficha técnica dentro do CD. Porém, vai passar a ter a oportunidade de colher alguns frutos da sua dedicação e talento que ajudaram a fazer daquela música uma das mais executadas publicamente nas rádios.

Os americanos nunca põem as pedrinhas na grama sugerindo onde o pedestre vai passar. Eles esperam para ver onde o pedestre passa instintivamente, e depois pavimentam aquele pedacinho! Se tem uma rua onde todo mundo entra na contramão, talvez essa rua esteja com a mão errada !

Parabéns Marcelo, por sua elegância e dedicação em pavimentar a evolução do mercado de áudio no Brasil. Que todos mixem musicalmente e colham seus frutos.


Enrico De Paoli é engenheiro de gravação e mixa em seu Incrível Mundo, recebendo projetos de todo o Brasil, CDs e DVDs, e enviando as mixes online para os clientes  (www.EnricoDePaoli.com). Em breve, haverá workshop de mixagem no Rio de Janeiro (perguntas para workshops@enricodepaoli.com). Cartas de leitores devem ser enviadas para cartas@enricodepaoli.com.
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 SOBRE O AUTOR
Enrico De Paoli é engenheiro de gravação e mixagem ou sound designer. Agora com seu INCRIVEL MUNDO das MIXAGENS, recebe projetos de todo o país para serem mixados, de forma que o cliente fica online

Para entrar em contato, escreva para cartas@enricodepaoli.com.

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