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segunda-feira, 5 de julho de 2010
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Rich Zwiebel desvenda o áudio em rede
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por André Iunes Pinto
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Durante o encontro da AES Brasil, um dos temas que mais gerou interesse no público foi, certamente, o do áudio em rede, ministrado por Rich Zwiebel, uma das figuras internacionais mais respeitadas no assunto. Ocupando hoje os cargos de presidente da K2 Audio, empresa que atua na área de produtos em programação de DSP; e de vice-presidente da QSC, Rich construiu um legado importante no setor, sendo o criador do protocolo CobraNet, a primeira rede de áudio de ampla aceitação no mercado. Além disso, o engenheiro desenvolveu o sistema Media Matrix, inaugurando uma nova era de produtos de DSP configurável.
Dentre os trabalhos realizados por ele, está a implantação da rede de áudio do senado dos EUA, instalação que abrangeu diversos edifícios, integrados através de uma rede única. Configuram também em seu currículo projetos para grandes parques temáticos, incluindo a elaboração de redes em que trafegam centenas de canais de áudio, vídeo e dados, como os das caixas registradoras de vendas, por exemplo, bem como controle dos brinquedos. Na entrevista a seguir, Rich fala com exclusividade à M&T sobre tecnologia, mercado e, é claro, do áudio em rede, assunto ainda pouco conhecido dos profissionais no Brasil.
Qual é, basicamente, a principal função do áudio em rede?
Rich: De forma bem resumida, a única função desse tipo específico de rede é transportar o áudio entre lugares diferentes. Antigamente, no tempo do analógico, tudo era de ponto a ponto. Já com o áudio em rede, assim como na internet, podemos transmitir o áudio para um número vasto de pontos em qualquer lugar. E a rede permite que você gerencie toda essa transmissão, endereçando-a para os pontos de seu interesse, além de economizar muito em esforço de instalação e custos com cabeamento. Para se ter uma ideia, um único cabo CAT5 pode enviar uma infinidade de canais de áudio. Com o novo protocolo QLAN [concebido por Rich na empresa QSC], por exemplo, é possível mandar 512 canais de forma bidirecional sem compressão, e com resolução de 32 bits, por um único cabo CAT5. É extremamente poderoso, pois possibilita enviar para qualquer lugar da rede.
Hoje, que tipos de projetos demandam o áudio em rede?
Rich: As aplicações são várias. Um centro de convenções, como o que foi sede do encontro da AES, por exemplo, é um forte candidato a receber o áudio em rede, pois se tem múltiplos pontos de chegada de sinal de áudio. Um órgão público, como uma câmara legislativa, ou qualquer outra instalação com diversas salas que precisem se comunicar e trafegar dados entre si, pode ser otimizado pelo áudio em rede. Incluo nessa lista, estádios e ginásios esportivos, que necessitam transmitir sinal a grandes distâncias, e sem perda de qualidade.
E como você o mercado brasileiro para esses tipos de aplicações?
Rich: Eu acredito que o mercado brasileiro tem um potencial imenso para aceitação dessa tecnologia. O Brasil está com uma economia em ótima fase, com novas construções em andamento, o que pode demandar projetos de áudio em rede. É preciso levar em conta a tecnologia que vai sobreviver à obsolescência e alcançar o futuro. Para se ter uma ideia, a internet é extremamente comum hoje em dia no mundo todo. Uma vez que você esteja em uma rede, automaticamente vai seguindo os upgrades que a própria informática vai oferecendo. Neste último um ano e meio, eu vim diversas vezes ao Brasil e pude notar que os profissionais daqui são muito receptivos às novas tecnologias. Sendo assim, o áudio em rede tem um potencial bem interessante no país.
Qual é o protocolo utilizado pela K2 Audio em seus projetos?
Rich: Normalmente, uma rede funciona com um único protocolo. Como a K2 Audio é uma empresa de consultoria, ela não está limitada a um tipo exclusivo de protocolo. Trabalhamos com todos. O protocolo mais adequado para cada caso depende do projeto, da necessidade do cliente e do tipo de equipamento utilizado.
Assim como o MIDI, que padronizou a comunicação entre equipamentos musicais, é possível que se adote no futuro um protocolo único para o áudio em rede?
Rich: Particularmente, não vejo essa possibilidade para o futuro. Atualmente, temos disponível no mercado uma variedade de protocolos bem distintos, que oferecem diversos tipos de aplicações diferentes. Não percebo uma tendência para a convergência.
Como você vê o futuro do áudio em rede e como essa tecnologia pode agregar os novos dispositivos móveis, como o iPhone, ou iPad, por exemplo, para um comando remoto do sistema?
Rich: No futuro, veremos uma mudança muito grande. Hoje em dia, o padrão de largura de banda da rede é de um gigabit. Em breve, estaremos com dez gibabits, e já começam a despontar redes com até 40 gigabits. Com relação aos dispositivos móveis, haverá um envolvimento cada vez maior. Embora a rede seja algo físico, e, portanto, imóvel, é possível acessá-la por meio de dispositivos móveis. A QSC, por exemplo, está em fase final de testes de um aplicativo para iPhone que possibilita controlar a rede de forma remota [assista em www.musitec.com.br vídeo no qual Rich demonstra o aplicativo].
Durante o encontro da AES, como você viu a receptividade das pessoas com relação ao áudio em rede?
Rich: É a primeira vez que eu participo de um encontro da AES no Brasil e estou bastante empolgado de estar aqui. Achei impressionante o número de visitantes, bem como a variedade de palestras técnicas realizadas durante o evento. Ao longo das minhas apresentações, percebi que as pessoas fizeram perguntas bem pertinentes, demonstrando que estão por dentro da tecnologia. Tenho a impressão de que o áudio em rede está sendo muito bem recebido em função do interesse dos profissionais em quererem saber mais sobre o assunto.
De modo geral, como você vê o mercado de áudio hoje, comparado com há 20 anos?
Rich: É interessante, porque a nova geração tem uma imensidão a mais do que eu tinha na minha época. Coisas que nós apenas sonhávamos antigamente, hoje são normais. Porém, acho que existe também um aspecto negativo perante a essa geração atual, pois, no meu tempo, quando se tinha algo difícil a se fazer, éramos obrigados a nos ater aos mínimos detalhes. Passávamos o nosso tempo realmente focados no resultado final: a qualidade sonora. Hoje, entretanto, parece que ficamos a maior parte do tempo focados na tecnologia em si, sobrando menos para trabalhar a qualidade final do áudio. À medida que a tecnologia progredir, as pessoas vão desenvolvê-la de modo a simplificá-la, viabilizando o tempo para o foco na qualidade final. Não devemos ficar tão acorrentados ao processo em si, às ferramentas. Mas confesso que seria muito legal ser jovem novamente, começar nessa indústria e ter tudo isso de recurso à mão.
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