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Edição #150
março de 2004

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Índice da Edição 150
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tecnologia de áudio
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Não, pois são poucos os especialistas em captação, mixagem e pós-produção de áudio 5.1 para TV
Sim, as principais emissoras e produtoras possuem todas as condições técnicas e de pessoal para isso
 
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segunda-feira, 1 de março de 2004
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Da válvula ao simulador por Rodrigo Sabatinelli
Dos áureos tempos
foto: Divulgação
M&T dedicou este espaço para especificar tecnicamente o funcionamento de algumas válvulas tradicionais. Saiba um pouco mais sobre cada um destes componentes.
Pré-amplificadores
Válvulas de pequena potência, usadas nos primeiros estágios de amplificadores e de outros aparelhos valvulados e híbridos.

" 12AX7 ou ECC83 ou 7025

A 12AX7 é uma das mais populares válvulas no mundo. Duplo triodo de alto ganho e baixo ruído, é comumente usada nos primeiros estágios de amplifica-ção dos amps de guitarra, como Fender, Marshall, Vox e Mesa/Boogie. É do tipo miniatura e tem 9 pinos. Tem também os nomes ECC83 (versão européia) e 7025 (versão industrial).

" 12AT7 ou ECC81 ou 6201

Duplo triodo de ganho médio, é usado em pré-amplificadores e estágios inver-sores de fase de amps de potência, como os Fender. Fisicamente, é muito se-melhante à 12AX7.

" 12AU7 ou ECC82 ou 6189

Duplo triodo de baixo ganho, pouco encontrado em amps de instrumentos. Mais utilizada em amplificadores hi-fi.

" 6SL7

Antiga válvula de base octal, usada nos amps de guitarra dos anos 40 e início dos anos 50. Duplo triodo de alto ganho, foi substituída pela 12AX7.

" 6SN7
Duplo triodo octal de baixo ganho, substituída pela 12AU7.

" AC701
 Triodo subminiatura, de ganho médio e baixo ruído, usado como pré-amplificador de cápsula dentro de microfones a condensador.

" Outros pré-amps

Várias outras válvulas foram utilizadas em pré-amplificadores, embora não tão comuns como os tipos acima. Mas vale citar: ECC85, ECC88 (duplos triodos), ECF80 (triodo + pentodo), usada nos estágios de entrada de amps de potência, e EF86, pentodo de baixo ruído, usado no microfone Neumann U47 e em muitos pré-amps para hi-fi (até hoje).

Válvulas de potência
De tamanho geralmente grande, são utilizadas em estágios de saída de amplificadores de instrumentos e amplificadores hi-fi. A grande maioria destes estágios de saída usa a configuração push-pull, onde cada lado de um par (ou quarteto, sexteto etc.) de válvu-las amplifica um semiciclo do sinal de áudio, dando muito mais potência do que uma só válvula seria capaz de fornecer.

" 300A e 2A3
Muito antigas e enormes, são triodos usados nos primeiros amplificadores de "alta" potência, na década de 30. Um par dessas válvulas é capaz de fornecer até 15 watts de saída. Até hoje, são utilizadas por experimentadores esotéricos.

" 6V6GT ou 7408
Pentodo octal, usado desde a década de 40. Um par é capaz de fornecer 15 watts, e a sonoridade é macia, adequada a amps para guitarristas de blues que apreciam um overdrive suave. Usada na maioria dos amps norte-americanos de baixa potência, incluindo Fender. Não tem correspondente na série européia.

" 6L6G ou 5881
Possivelmente a válvula de potência mais usada no mundo, é um tetrodo de feixe dirigido, de base octal. Em sua versão inicial, vinha em invólucro metálico e era altamente ruidosa e microfônica; veio então a versão em vidro, de onde se origina a letra G (de glass). Um par pode chegar a 55 watts de saída, e sua distorção é macia e controlável pelo músico. É usada nos amplificadores norte-americanos de média potência, incluindo Fender. Sua versão industrial é a 5881, a qual possui as mesmas características e pode ser intercambiada. A 6L6G tem várias versões, e a mais apreciada, com maior rendimento, é a 6L6GC. Há ainda uma designação européia, muito pouco encontrada: EL37.

" 6550
A gigante das válvulas de saída norte-americanas, é uma espécie de "versão aumentada" da 6L6. Sua distorção é um pouco mais áspera, mas também fa-cilmente controlável pelo toque. Um par de 6550 é capaz de entregar 100 watts de potência, e por isso ela é a preferida pelos fabricantes norte-americanos de amps de alta potência, como a Ampeg. Aqui no Brasil, a Meteoro utiliza a 6550 em seus modelos valvulados de alta potência, a partir do Cristalino (de 100W). Não tem correspondente direta na numeração européia, embora seja quase e-quivalente à KT88 britânica.

" EL84 ou 6BQ5
De origem européia (Philips), a EL84 surgiu como a alternativa moderna para a 6V6 e outros pentodos de baixa potência. A EL84 é a mais compacta das válvu-las de saída - no formato miniatura, com base de 9 pinos, um par de EL84 che-ga a 17 watts de saída. Seu ganho é alto, sua distorção é baixa, e foi a válvula mais usada em amplificadores hi-fi de potência média nos anos 60. Entre os músicos, porém, sua maior glória está em ser a válvula de saída dos amplifica-dores Vox AC-15 (15 watts, com um par) e AC-30 (30 watts, com um quarteto de EL84). No Brasil, a EL84 foi usada nos amplificadores Ipame da década de 60, de som extremamente doce.

" EL34 ou 6CA7
A EL34, com base octal, é em todos os aspectos a "irmã maior" da EL84. Basta olhar para ambas para ver como são parecidas, exceto pelo tamanho. Um par de EL34 pode fornecer 50 watts de potência no estilo europeu: som mais bri-lhante que o das americanas, distorção mais áspera, ideal para o heavy metal. Usada nos grandes amps europeus, incluindo vários Marshall e os modelos grandões da Vox. No Brasil não foi muito usada em amps de instrumentos, pos-sivelmente por ser um pouco mais cara e mais frágil do que sua concorrente americana, a 6L6. Ainda é uma das favoritas para o projeto de amplificadores para audiófilos.

" KT66
Os "tetrodos sem rebote" (Kinkless Tetrodes), ou tetrodos de feixe dirigido da fabricante inglesa M-O Valve marcaram a história do áudio pela sua potência e qualidade.
Dos três tipos mais conhecidos, a KT66 é a de menor potência. Tem caracterís-ticas bastante semelhantes às da 6L6GC e, em princípio, pode ser intercambia-da com ela.

" KT77
O KT77, destes três modelos, é o menos popular. Tem características bastante semelhantes às da também européia EL34, mas permite tensões de alimenta-ção mais altas, com o que sua potência de saída, na configuração ultra-linear (grades auxiliares ligadas a derivações do primário do transformador de saída), atinge 72 watts.

" KT88
Provavelmente a válvula de alta potência mais famosa do mundo, é capaz de fornecer 100 watts por par. É a válvula usada no Marshall Major, de 200 watts, que utiliza um quarteto delas. Muitos amplificadores hi-fi foram montados com estas válvulas. Suas características eletrônicas são bastante próximas às da 6550 norte-americana; embora o timbre seja diferente, uma pode ser substituí-da pela outra mediante pequenos ajustes de polarização.

" KT90
De lançamento relativamente recente, é eletronicamente equivalente à KT88, sendo de construção ainda mais avançada. Pode também substituir, com alguns ajustes, a 6550.

" 7027
Com curvas características idênticas às da 6L6GC, parece equivalente a esta e pode substituí-la diretamente. No entanto, a recíproca não é verdadeira: a 7027 é uma "super 6L6", que suporta tensões de alimentação mais altas e é capaz de produzir até 70 watts por par. Está fora de fabricação há anos, e é difícil de se achar. Os donos de aparelhos que usam esta válvula, como alguns Ampeg, po-dem substituí-la pela 6550, fazendo alguns ajustes na polarização.

" Outras válvulas de saída
Existem muitas outras válvulas de potência de áudio, grandes, médias e peque-nas, e mesmo válvulas de potência não desenvolvidas para áudio que podem ser usadas em estágios de saída. A 6AQ5 ou EL90 é um pentodo miniatura de 7 pinos, capaz de fornecer 10W por par em push-pull. A 6F6 é um pequeno pen-todo octal, menos popular que a 6V6, capaz de fornecer 15 watts por par. Exis-tiram válvulas duplas, hoje em total desuso, contendo um triodo pré-amplificador e um pentodo de baixa potência, como a ECL82 / 6BM8.
Outras válvulas de alta potência não chegaram a ter seu lugar ao sol entre os audiófilos e os músicos. É o caso da obscura 8417, capaz de fornecer 100W por par e que surgiu - tardiamente - para ser A válvula de saída.
Várias válvulas, criadas no passado distante para servirem como radiotransmis-soras, se revelaram excelentes para saídas de áudio. Este é o caso da 807, da 811 (triodo) e da 813, capazes de fornecer, por par em push-pull, respectiva-mente, potências de 120W, 340W (!) e 490W (!!!).

Ronald Searle Hochstetter, o patrono das válvulas chilenas
"Por cuanto don Ronald Searle Hochstetter hay participado en la fabricación de los primeros tubos electrónicos producidos en Chile, desde su puesto de técnico jefe venimos en conferido el título de pionero electrónico con motivo de la inauguración oficial de la fábrica de tubos electrónicos RCA, celebrada el 7 de junio de 1956, en Santiago Del Chile"
Estas palavras resumem parcialmente a história de Ronald Hochstetter. Engenheiro eletrônico diplomado no Chile, o profissional trabalhou por 30 anos na área industrial da fábrica da RCA, no país, chegando a desempenhar cargo executivo dentro da em-presa. Radicado no Brasil há 21 anos, Ronald começou a fazer manutenção de equi-pamentos como pedais, multi-efeitos e, principalmente, teclados, em seu laboratório localizado no Catete, Zona Sul do Rio, onde conquistou, de imediato, uma grande clientela de luxo. "Me lembro da primeira vez em que o Robertinho do Recife entrou aqui. Ele tinha diversos amplificadores Marshall, todos valvulados e de diferentes tipos, especiais para cada gênero musical que tocava. Cheguei a reconstruir alguns destes - que só dispunham do canal clean -, instalando sistemas valvulados de Send / Return, para que também pudessem operar com o drive", diz.
De acordo com o engenheiro - especialista quando o assunto é amplificadores valvulados, para aqueles artistas que saem em longas turnês, todo cuidado é pouco, pois as peças sofrem bastante com o transporte em estradas irregulares. Por outro lado, para aqueles que apenas fazem das caixas uso caseiro, Ronald garante que a vida das criaturas pode chegar, tranqüilamente, a dez mil horas. "A válvula trabalha como uma lâmpada. Em sua estrutura existem filamentos frágeis e que podem se romper com o balanço dos equipamentos. Para isto, o ideal é que estejam protegidos em hard cases, com acolchoamento interno, evitando ao máximo qualquer tipo de atrito", ensina ele, garantindo que, uma vez danificadas, é impossível recuperá-las. "Não existe nenhum tipo de recuperação destas peças, pois são fabricadas a vácuo. Uma vez queimadas, queimadas para sempre, o que também se aplica aos transistores. Existe ainda um nível de sensibilidade entre os diversos tipos; as válvulas mais sensíveis são as que trabalham sob maior potência, tais como as 6L6, 6550 e as EL34". afirma.
O engenheiro ainda explica a diferença entre o funcionamento de válvulas e transisto-res, que, para ele, é de fácil entendimento. "Um amplificador que trabalha com válvu-las tem o espaço mais exponencial entre o início da saturação que produz a distorção até seu pico de overdrive. Já a linha de saturação transistorizada é mais abrupta", resume.
Para testar suas potências, Ronald promove diversos testes dinâmicos, medindo parâ-metros de seu funcionamento como uma questão matemática. "Um par de 6L6 em perfeito funcionamento tem a capacidade de produzir 50 watts. Se determinado ampli-ficador trabalha com quatro destas válvulas, temos 100 watts. Ao analisar a potência através de osciloscópios e voltímetros digitais, o resultado não pode ser outro. Caso seja, de fato estão trabalhando com potência reduzida. É simples", encerra.

M&T entrevistou ainda o engenheiro eletrônico Carlos Alberto "Sossego" Lopes, ex-proprietário da Palmer - indústria de caixas acústicas - e criador do amplificador Giannini Tremendão e da guitarra Giannini Supersonic.

Como começou a fabricar instrumentos musicais no Brasil?
Certa vez fui chamado por um amigo para consertar a fonte de seu amplificador, um Fender Bandmaster, que tinha três falantes Jensen de 10" e dava 25 watts, no máxi-mo. Ele era tão raro, que seu chassi era de número 0056, uma das primeiras unidades fabricadas naquela linha. A partir daí surgiu a vontade de construí-los. Então solicitei ao Geraldo Cintra, um amigo que dava aulas de inglês, que escrevesse uma carta para a fábrica da Fender, pedindo o esquema do circuito de amplificador deles. A fábrica me enviou todos os esquemas, até mesmo de guitarras, inclusive as havaianas. Isto tudo aconteceu por volta de 1960, mas somente em 1963, quando fui contratado pela Giannini, é que mergulhei efetivamente no mundo da construção de instrumentos musicais.

Como foi esta passagem pela fábrica?
Fui convidado para assinar os projetos de instrumentos de cordas da empresa, como guitarras e contrabaixo. Meu primeiro projeto foi o da Giannini Supersonic 703, o instrumento que levou os brasileiros a tocarem guitarra, e que hoje virou artigo de luxo, pois tem gente que procura com lupa para comprar. Na época, fiz a Giannini adquirir uma Fender Stratocaster, que serviu de base para este modelo. Desmontei-a e copiamos perfeitamente todo o seu esquema. A única coisa que não tínhamos similar aos originais, na época, eram os parafusos Allen minúsculos, então utilizamos parafu-sos de fenda normal. E assim nasceu a guitarra, que era uma mistura de dois modelos, a Jazzmaster - que emprestou formato de corpo e escudo - e a Strato - que cedeu posicionamento de pick-ups, alavanca, controles e receptáculo para jack. As duas primeiras edições desta guitarra caíram na mão do grupo Os Incríveis, momentos antes de eles embarcarem para a Itália. Segundo eles, o pessoal de lá ficou deslum-brado com o instrumento, pois, até então, só conheciam as Fenders originais. Na seqüência, desenvolvi amplificadores que foram True Reverber, Thunder Sound, Vali-ant, Jet Sound, Tremendão, e o Mini Mighty, através de cópias dos circuitos das caixas Fender, adaptados às nossas condições tecnológicas da época, deficiente de alguns componentes.
Durante os anos 60 você fez uma espionagem industrial nas maiores fábricas de instrumentos musicais do mundo. Como foi esta experiência?
Em 1967, numa viagem ao exterior, visitei quatro grandes empresas. Primeiro fui ao Brooklin e conheci a fábrica da Gretsch. De lá, segui para o Michigan, para a antiga fábrica da Gibson, onde passei dois dias enfurnado. Depois fui até Chicago e conheci a Harmony, maior fábrica de instrumentos musicais de média e baixa qualidade. E, por fim, voei para a Califórnia, para a fábrica da Fender, já em mãos da CBS, pois foi vendida por Leo Fender, em 1965. Foi uma experiência incrível, porque tive acesso a todo o processo de fabricação destes grandes nomes. Lá mesmo vi e ouvi todos os amplificadores transistorizados que eles fabricavam. Uma tremenda porcaria.

Foi a partir daí que você fundou a Palmer?
Isso. Em 1969, fui convidado pelo grupo Os Mustangs para prestar a eles uma consul-toria de áudio em que escolheria seus equipamentos. Fui para Europa e comprei dois amplificadores Marshall, de 200 watts cada - os primeiros a entrarem na América Latina -, além de outros instrumentos musicais e um equipamento de PA estéreo, de 800 watts, com duas câmaras de eco. Tempos depois peguei emprestado estes dois amplificadores para ver como eram construídos e os músicos desta banda me propuse-ram fazer uns protótipos. Se os modelos ficassem satisfatórios, eles comprariam as peças e substituiriam os Marshalls. Foi o que aconteceu. Então escolhi o nome Palmer e fiz umas plaquinhas para colocar o logotipo nas caixas. Então resolvi montar a indús-tria e, em fevereiro de 1970, já estava construindo os modelos para baixo e guitarra, de 200 watts e um outro de 120 watts que, na verdade, era uma mistura híbrida de dois amplificadores, um Fender e um Marshall, com push-pull paralelo de 6L6GC, dando tudo o que podia e arrancando 120 watts.
Como você vê a atual indústria de amplificadores?
O nível melhorou muito, mas infelizmente estas industrias estão nas mãos de técnicos que não são do ramo. Eles seguem o palpite dos músicos, que são as pessoas menos adequadas para dizer como se faz um amplificador. Particularmente, acho que ainda devamos muito à industria internacional. Todo mundo chupou coisas de Fender e Marshall.
Você é do tipo que condena os Solid State?
Não condeno totalmente porque ainda servem para fazer telecomunicações, mas os amplificadores de guitarra transistorizados são terríveis. Sempre foram e sempre serão.
Fale sobre seu novo projeto, a Valve Tech.
A Valve Tech é, na verdade, uma butique sofisticada na construção de amplificadores Hi-fi de alta qualidade e totalmente valvulados. Este será meu trabalho daqui para frente, pois não tenho planos de voltar para a indústria. Por outro lado, este tipo de serviço, personalizado, requer um maior investimento dos consumidores, pois trata-se de um produto que conta com peças especiais, como chassi e painel. Quando não se tem uma indústria por trás disso, o custo é elevado, assim como a garantia de qualidade.
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