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segunda-feira, 1 de março de 2004
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Editorial |
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Fender & Van Gogh
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por Sólon do Valle
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Dedicamos a capa e várias páginas desta edição à velha (velha?) discussão válvula x simulador. Por mais perfeita que esteja se tornando a emulação dos quase seculares, literal e figuradamente quentes dispositivos amplificadores, é claro que alguma magia não pôde ainda ser recriada.
O que falta? Lembro-me de, aos 13 ou 14 anos de idade, ficar durante quase metade de um baile atrás do palco, observando o estranho brilho violeta das válvulas 6550 da caixa Leslie de Ed Lincoln, e aquela misteriosa corneta que ora girava devagar, ora girava rápido. E como o som mudava! Como as válvulas brilhavam quando Lincoln pisava fundo no pedal de expressão do Hammond! E como era bonito o overdrive do órgão!
É claro que eu estava sob o efeito da magia das válvulas. Até hoje fico arrepiado quando me lembro daquela sensação. Naquele tempo - há 40 anos - aquilo era hi-tech. Hoje é apenas saudade? Certamente não! Inúmeros músicos - muitos deles nascidos depois de a Hammond e a Leslie terem parado de fabricar seus clássicos modelos - exigem a coisa real, argumentando que os melhores simuladores não são capazes de recriar a atmosfera... de um tempo que eles nem conheceram!!!
Comparo a magia do som valvulado à magia da pintura. Vá ao interior da França e fotografe, com a melhor câmera que exista no mundo, uma revoada de corvos sobre um campo de trigo. Você terá se transformado em Van Gogh? Nem cortando a orelha! A precisão de uma lente do melhor cristal e de um filme caríssimo jamais igualarão a poesia das pinceladas tortas do pintor.
Eu já disse, neste espaço, que no Áudio, ninguém quer precisão. A verdadeira estética está na riqueza da interpretação do som original, dada pelo engenheiro de som e pelo projetista do equipamento eletrônico.
Amplificadores não são calculadoras, são pincéis.
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