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Edição #150
março de 2004

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tecnologia de áudio
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Na sua opinião, as produtoras e emissoras de televisão já estão preparadas para utilizar plenamente os recursos do áudio 5.1 em seus programas?
Sim, já há no Brasil equipamentos de captação, mixagem e pós-produção necessários para áudio 5.1
Sim, a mão de obra já está amplamente preparada para lidar com esta tecnologia
Não, pois pequena parte das emissoras e produtoras possui o aparato técnico necessário para tal
Não, pois são poucos os especialistas em captação, mixagem e pós-produção de áudio 5.1 para TV
Sim, as principais emissoras e produtoras possuem todas as condições técnicas e de pessoal para isso
 
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segunda-feira, 1 de março de 2004
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Da válvula ao simulador por Rodrigo Sabatinelli e Sólon
O panorama histórico e a opinião de guitarristas e profissionais do áudio sobre a tecnologia que se renova a cada instante
foto: Divulgação
A discussão que gira em torno dos sistemas analógico e digital parece intermi-nável. E enquanto muitos instrumentistas acompanham os avanços tecnológi-cos, outros preferem se colocar na contra-mão do tempo, valorizando a cha-mada tecnologia vintage, tão indispensável quanto a high-tech.
Em termos de equipamentos, qual é a preferência dos guitarristas nacionais: valvulados ou aqueles que simulam essa funcionalidade? 6L6, EL34 e 12AX7 têm vez contra Pod e GuitarFX?
Para contar um pouco da história, M&T visitou o laboratório de Ronald Hochs-tetter - engenheiro eletrônico que trabalhou na fábrica da RCA, no Chile - e entrevistou Carlos Alberto "Sossego" Lopes, o criador do famoso amplificador Tremendão, da Giannini.

Na estrada só dá amp
Antes mesmo de um aprofundamento em questões técnicas, é preciso perceber a divergência de opiniões que separa os dois formatos. Certos equipamentos são de extrema importância para o artista na estrada, outros favorecem-no apenas num estúdio de gravação. Desta maneira, nada melhor que ouvir a opinião de quem sabe e vive com um pé em cada um destes cantos.
Para o cantor Lulu Santos, que passa boa parte do tempo em turnês pelo Brasil, não há nada que substitua os verdadeiros amplificadores ao vivo, o que se afirma em seu backline, composto por um Vox (modelo AC-15) além de outros dois amplificadores de standby - um deles o Roland Jazz Chorus. "Como o Jazz Chorus é um modelo solid state, sua combinação com o som macio e valvulado do Vox é fantástica. Aprendi este truque com o [ex-guitarrista do grupo Guns'n'Roses] Slash", conta Lulu, que ainda dispõe de um considerável set de pedais: Dyna Comp, RAT, Delay PB&J Danelectro, Wah-wah, Chorus TC, Phaser Dunlop, Mu-tron, simulador Leslie Hughes & Kettner e, por fim, um delay Line 6. "A Leslie fica insertada no send do Jazz Chorus, aberta em estéreo, com o Mu-tron à sua frente. Nada disso vai para o Vox. Ele fica ao centro do palco com 1dB a mais que o Roland, sempre aberto em pan 180º", descreve ele, que trocou recentemente seu AC-15 por um Marshall de 20 watts. "Estava sentindo falta de um canal sujo", justifica.

Lulu faz parte do time de músicos que não se entrega facilmente às novas tecnologias - regidas pelos simuladores e afins - e reafirma não abrir mão das caixas amplificadas em suas apresentações. "Jamais faria isto, apenas troquei os amplificadores grandes por modelos menores, porque utilizo monitores in-ear e toco com um volume de palco baixo. Aliás, se existem microfones para captar o som dos falantes, para que tocar tão alto?", questiona.

Detalhe do equipamento que o Lulu Santos leva para suas apresentações

Assim como Lulu, outro que assume a preferência por amplificadores ao vivo é o músi-co Davi Moraes. Filho de Moraes Moreira, Davi utilizava, até pouco tempo, um amplifi-cador Mesa/Boogie, juntamente com o Triaxis - um pré valvulado em rack da mesma marca -, recentemente substituídos pelos tradicionais JCM 900, da Marshall. "Este sistema era dividido em dois canais, com 2200 watts por canal, mas cansei de utilizar racks e hoje uso somente pedais de efeitos, ligados aos amps valvulados", diz.
Além do backline que leva para suas apresentações, Davi guarda em casa um verda-deiro tesouro: o cabeçote Tremendão, da Giannini - fruto de um troca-troca com o tecladista do grupo O Rappa, Marcelo Lobato. "Este é o meu xodó. O Tremendão tem um som cristalino, muito próximo ao dos JCMs, porém com um pouco mais de volume. Ele trabalha com quatro válvulas 6L6, quatro 12AX7 e duas 12AT7. Tenho muito receio de levá-lo para a estrada. É um amplificador antigo e sensível", avalia o músico, que utilizou o equipamento apenas na gravação do disco Memórias, crônicas e declarações de amor, da cantora Marisa Monte e em seu álbum de estréia, Papo macaco.

Guitarrista à moda antiga
Seguindo a trilha de Jimi Hendrix e Lenny Kravitz, o cantor, compositor e guitarrista mineiro Wilson Sideral é outro aficionado por tecnologias vintage. Colecionador de guitarras, pedais e amplificadores - em sua maioria peças dos anos 60 e 70 -, ele usa atualmente um Marshall, modelo JCM 2000 TSL, com três canais independentes (clean, crunch e super drive), além de um equalizador, dois canais de loops de efeitos e um controle de reverb, também independentes, podendo, assim, timbrar cada um destes canais individualmente. Todo o aparato é ligado em duas caixas acústicas, modelo 1960, da mesma marca. "Este amp possui botões de corte de médios e um botão deep, que dá um grave animal. Eu mesmo o apelidei de Bafo do capeta", brinca o guitarrista. Ele também utiliza em seus shows uma pedaleira projetada em parceria com seu roadie, Kiko Mourão. Nela, Sideral disponibiliza parte de seu arsenal variado e muito bem representado por pedais como Tube Screamer TS-9, da Ibanez; Phaser, da MXR; Cry Baby, da Dunlop; DL4, da Line 6; V-Twin, da Mesa/Boogie; e Whammy, da Digitech.
O músico considera a utilização de simuladores ao vivo uma opção válida, porém garante que isto depende diretamente do gosto de cada profissional. Ele conta que há algum tempo tentou trabalhar com simuladores na estrada, mas não se adaptou. Não conseguia um equilíbrio de volumes e timbres satisfatórios. Ele acredita que isso talvez se deva ao fato de que seja preciso explorar mais as programações e ele é um "cara à moda antiga". "Gosto de plugar e sentir o som do instrumento e do amplificador ber-rando ao natural. Já o Guilherme Fonseca, guitarrista que me acompanha em algumas ocasiões, tira um baita som utilizando o Pod, da Line 6, associado a uma potência Mesa/Boogie empurrando uma caixa Marshall 1960", afirma.
De acordo com Sideral, não se pode negar a grandiosidade do som original de uma válvula, porém, questões como tempo, praticidade, preço e a própria ausência dos modelos originais fazem da tecnologia digital uma boa opção para quem trabalha com música.
Um dos equipamentos prediletos do guitarrista é o pedal valvulado V-Twin, da Me-sa/Boogie, que faz questão de descrever tecnicamente. "Este pedal é um verdadeiro monstro. Tem um drive muito forte e bacana para solos que necessitam de bastante sustain, mas é preciso muito cuidado com seu transporte, pois trata-se de um equipa-mento em que a válvula fica exposta, sujeita a choques e condições adversas de tem-peratura - como chuvas ou calor excessivo - que poderiam condenar seu tempo de vida útil. Eu mesmo tive que trocá-la algumas vezes", recorda.

Acompanhando o avanço
Desde o começo da turnê de seu segundo disco, Sobre nós 2 e o resto do mundo, o cantor Frejat usa durante as apresentações apenas o amplificador Vetta, da Line 6. Todos os pedais e efeitos são executados internamente, como reserva deste sistema, através de um simulador Pod XT. Amante dos valvulados, Frejat possui alguns exem-plares. Porém, atualmente, promoveu uma reforma em seu setup e permitiu a entrada de simuladores. O guitarrista admite que, com a evolução tecnológica, o alto grau de qualidade destes equipamentos supriu as necessidades da estrada: "Troquei um rack de dezesseis espaços, que pesava 60kg, por um amplificador combo com a metade do peso e que não tem a fragilidade das válvulas. Esta mudança também me permitiu um maior número de recursos de programação", garante o músico.
Ainda que enumere as vantagens dos simuladores, Frejat não pretende se desfazer das caixas e cabeçotes que tem. "Quando gravo meus discos utilizo diversos amplificadores valvulados, entre eles Fender, Mesa/Boogie e Vox. Nesta hora os simuladores não têm vez, pois é o momento do prazer total, da experiência do músico com o analógico. Certa vez utilizei o Cyber-twin, da Fender, que é um híbrido de simulador com válvu-las, e tive um ótimo resultado no estúdio. A diferença de um amplificador valvulado para um simulador é notada apenas por quem o toca, não por quem ouve. O amp dá aquela sensação tátil da compressão das válvulas e o simulador não", diz.
Ainda de acordo com o músico, as válvulas têm papel particular como outro instrumen-to de coloração do som. Isso, segundo Frejat, é praticamente impossível de clonar.


 

 


Setup do Frejat: Cabeçote e caixas dão lugar a pequenos equipamentos

Quando existe interseção tecnológica
O guitarrista Jr. Tolstoi, que atualmente acompanha o cantor pernambucano Lenine, é o grande exemplo de que existe um ponto de equilíbrio entre os universos analógico e digital. Adepto das duas tecnologias, o músico tem em seu setup exemplares dos dois extremos. "Para a estrada costumo carregar parte de meu equipamento, formado por amplificadores Vox AC-30, Marshall e caixa Marshall 4x12, modelo 1969. Em minha pedaleira utilizo os efeitos Whammy 2, Wah-wah Cry Baby, RAT, Tube Screamer TS9, compressor EBS, vibrato Voodoo Vibe, da Roger Mayer, Envelope Filter, Memory Man da Electro-Harmonix, delay Line 6, Digital Delay Reverb RV-3 Boss, Flanger MXR, Phaser MXR, Micro Amp MXR e Chorus / Flanger TC Electronic. Já na caixa de loop ligo uma segunda pedaleira, composta por um Moogerfooger, um RAT, um delay DD2 Boss, um Fuzz Octave Fulltone e um simulador de filtros da Line 6", descreve.
 













De acordo com Jr., é preciso pesquisar muito, antes mesmo de descartar ou negar qualquer recurso, que possa ser útil em situações específicas. "Particularmente, acho que as duas tecnologias podem trabalhar em conjunto, pois, no fim, o que conta mes-mo é se o músico consegue tirar um bom som do instrumento. Já toquei com um artista que usava um amplificador Fender valvulado avaliado em US$ 2000, uma guitarra Rickenbacker e efeitos vintage, mas, mesmo assim, não conseguia uma boa sonoridade. Hoje, o vejo tocando na TV com simuladores Line 6 e o som não melhorou em nada. Continua muito ruim. Acho que o que conta mesmo é o ouvido e o bom gosto do músico", avalia.
O guitarrista admite que os simuladores digitais não substituem um amplificador val-vulado. Na estrada, porém, a novidade vem ajudando bastante, embora ainda prefira carregar todo seu equipamento. "No Brasil é muito comum ocorrerem problemas como queda de energia elétrica, então os riscos com os equipamentos são muito altos. Por enquanto ainda prefiro levar meus pedais e válvulas sobressalentes, mas por pura questão de gosto. Por outro lado, existem boas referências de músicos que utilizam simuladores na estrada. John, do Pato Fu, por exemplo, tem um excelente timbre de guitarras ao vivo, e, se não me engano, só utiliza sistemas digitais", diz.

No estúdio vale de tudo
Ao contrário do que se vê na estrada, os simuladores são sucesso quando o cenário é um estúdio de gravação. Com uma biblioteca enorme de plug-ins, que simulam todo tipo de efeito, caixas, instrumentos e até mesmo posicionamento de microfones, o Pro Tools virou ferramenta utilidade-mor nos últimos tempos. Prova disso são as experiên-cias de músicos e produtores. Os resultados são os mais variados e improváveis.
Durante a gravação de seu segundo disco, Na paz, Sideral e o produtor Tadeu Patola utilizaram alguns recursos do software como os plug-ins Amp Farm e Sansamp. Se-gundo o músico, as sonoridades obtidas foram surpreendentes, graças ao conhecimen-to do produtor sobre a ferramenta. "Utilizamos o Amp Farm para algumas guitarras e o som ficou bem interessante. Já o Sansamp foi usado para timbrar alguns baixos e filtrar vozes e outros instrumentos", conta.
Embora admita a faceta, Sideral garante que, no momento da gravação, o ideal é contar com um bom e velho cabeçote empurrando as gigantes e potentes 4x12. "Estes recursos são uma verdadeira mão na roda, pois sua utilização é rápida e gera bons resultados. Para gravar demos eu utilizo o Pod ou o Amp Farm, mas, hoje em dia, quando gravo um disco à vera, opto pelo sistema de captação tradicional, com micro-fones e amps para tirar um som único, e não presetado", diz. "Eu me emociono muito mais com o som das válvulas e acho que é preciso lembrar que os simuladores são apenas simuladores, meras representações, e não as caixas de verdade", completa.
Davi Moraes foi outro músico que utilizou simuladores no estúdio e conquistou excelen-tes resultados. Com um Pod à mão, o guitarrista admite ter ganhado tempo, embora ainda prefira os plug-ins ao aparelho. "Este simulador foi bastante útil, principalmente nas pré-produções que fiz em alguns estúdios, mas é óbvio que não se compara a gravar com um amp. O som da caixa é outro, mais quente, você sente que tem coisa análoga ali", descreve Davi. Ele conta que já utilizou o JMP1, da Marshall, e até mesmo o Triaxis. "Todos os recursos são válidos, mas entre as opções o melhor é a biblioteca de plug-ins do Pro Tools. Nela você encontra vários simuladores interessantes e o mais legal é quando se abre na tela do computador o display com a carinha do pedal esco-lhido", declara o guitarrista, fã do Compressor / Limiter Urei 1176. "Este é um simula-dor bastante fiel ao compressor valvulado. Além dele, o Roland VG8 - Virtual Guitar - é outro muito interessante, capaz de simular diversos timbres de captadores, guitarras e amps", diz.
O uso não convencional destas ferramentas também parece fazer a cabeça do músico, que durante a gravação de seu disco Papo macaco utilizou um Amp Farm no canal de shake de percussão, garantindo ao instrumento uma sonoridade bastante curiosa. "Adoro experimentar", conta Davi. "Usar um Sansamp apenas em guitarras ou baixos seria limitar demais as possibilidades de criação. Na minha opinião, estes recursos deveriam ser usados em canais de voz, bateria e até mesmo em cordas, dependendo, é claro, do projeto em que se está trabalhando. Sempre que procuro um som mais plástico para a guitarra, ou quando não tenho tempo para montar todo o sistema de amplificadores no estúdio recorro ao Pod", emenda Tolstoi.

Adepto dos simuladores na estrada, Frejat concorda com Jr, porém, sugere que o instrumento seja regravado posteriormente com o uso de um bom amplificador. "Em pelo menos 85% dos casos", arrisca. "Estes acessórios também funcionam bastante para sujar outros instrumentos que não a guitarra, por exemplo", conclui.
Jogando no time de Jr., Edgard Scandurra, guitarrista do grupo Ira!, também lança mão do equipamento: ora por sua praticidade, ora por puro conceito. "O Pod é um quebra-galho de luxo. Em meu projeto de música eletrônica, utilizei bastante seu acervo de amplificadores. Quando uso mais de dois tipos de distorção numa mesma música, recorro aos simuladores, que me dão diferentes timbres do instrumento", conta o músico, admirador das clássicas 6L6 e arrependido após uma troca prematura de equipamentos. "Eu tinha um amplificador Seymour Duncan Convertible, que traba-lhava com válvulas conversíveis e com características específicas: válvulas para bases, solos e ritmos. De acordo com a combinação de tipos de válvulas o som do amplifica-dor ia mudando. Era um espetáculo! Me desfiz por puro romantismo num troca-troca por um amp Hiwatt, que só tinha volume de saturação", lamenta.
Lulu Santos mais uma vez se mostra avesso ao sistema e declara abertamente uma experiência negativa com produtos do gênero. "Acho o V-Amp uma verdadeira porcari-a. Ganhei um do [DJ e parceiro] Memê e acabei dando para outra pessoa. Já o Pod é um pouco melhor, pois não deixa você preso a programas com o som do disco dos outros. Ainda assim, só usei para gravar guias no estúdio, que cobri posteriormente com amplificadores regulares", conta o músico, referindo-se aos timbres pré-fabricados que o produto oferece.
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