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Edição #161
dezembro de 2012
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Iluminando: Pátria-luz
UMA BANDEIRA ILUMINADA
por Farlley Derze 09/12/2012
Esse artigo foi escrito no dia 19 de novembro de 2012, Dia da Bandeira, durante o voo que me levava do Chipre para Atenas, uma conexão para meu destino final, Paris. Fui convidado pela Embaixada Brasileira a passar um mês no Chipre para divulgar, através do piano que toco, a música brasileira para os cipriotas. Durante o voo eu refletia sobre as experiências que vivi naquela região e, dentre elas, uma se repetia mais vezes em minhas lembranças. Tem a ver com o uso simbólico da luz.

Em minha primeira noite no Chipre, vi, da varanda do apartamento onde fiquei hospedado, uma montanha mais distante. Nela havia um desenho, feito com lâmpadas, que contrastava com a escuridão da noite. Era o desenho de uma bandeira, mas não a do Chipre, e sim a da República Turco-Cipriota, parte norte da ilha que foi ocupada pelos turcos. Na parte sul ficam os gregos. Num primeiro olhar, pode-se pensar que se trata de uma intenção artística aquela de dispor uma lâmpada ao lado da outra de modo a formar o retângulo de uma bandeira, e outras para formar os signos internos de uma bandeira. Contudo, o motivo daquele cenário não era "artístico", e sim político. E a luz foi usada como interface no cenário noturno de uma ilha onde vivem dois povos separados pelo idioma, pela religião, pela cultura, pelo modelo político... Um povo não reconhece a legitimidade do outro e vivem separados por uma fronteira militarizada.

A bandeira iluminada é feita de refletores alinhados e fixados numa grande placa de concreto cimentada na encosta da montanha turca, de modo que à noite ela brilhe para o lado sul da ilha, a parte grega, como forma de legitimar a presença turca naquele território. Há uma frase ao lado da bandeira, escrito em turco, cujas letras são feitas dos mesmos refletores de luz amarelada. A mensagem é a seguinte: "Feliz é o homem que nasce turco".





A LUZ NAS BANDEIRAS DOS PAÍSES

A bandeira brasileira tem a luz representada por estrelas que brilham no céu noturno situado ao centro do pavilhão nacional. Outras nações também iluminaram suas bandeiras com estrelas, com a Lua, com o Sol. Na África: Marrocos, Argélia, Mauritânia, Cabo Verde, Senegal, Saara Ocidental, Burquina Faso, Guiné-Bissau, Libéria, Gana, Camarões, República Centro-Africana, Djibuti, Etiópia, Somália, São Tomé e Príncipe, República Democrática do Congo, Ruanda, República do Burundi, Angola, República do Malawi, Moçambique, Comores, Namíbia, Zimbabwe, Togo, Tunísia. Na Europa: Turquia, Azerbaijão e Bósnia-Herzegovina. Na Oceania: Marianas do Norte, Ilhas Menores Distantes dos EUA, Havaí, Micronésia, Ilhas Marshall, Papua Nova-Guiné, Nauru, Ilhas Salomão, Quiribáti, Tuvalu, Tokelau, Austrália, Samoa Ocidental, Niué, Ilhas Cook e Nova Zelândia.

E tem muito mais. Nas três Américas: Estados Unidos, Honduras, Panamá, Cuba, Federação de São Cristóvão e Neves, Antígua e Barbuda, Domínica, Granada, Aruba, Antilhas Holandesas, Venezuela, Suriname, Brasil, Uruguai, Chile, Argentina. Na Ásia: Síria, Israel, Jordânia, Iraque, Cazaquistão, Turquemenistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Quirguistão, Paquistão, Ilhas Maldivas, Nepal, China, Macau, Taiwan, Coreia do Norte, Mianmar, Vietnã, Malásia, Singapura, Filipinas, Ilhas Cocos, Ilha do Natal e Timor Leste. Na Antártida: Dave Hamilton, Ilhas Heard e Mac Donald.



TRIBUTO

Mas o uso simbólico da luz não fica restrito às bandeiras de dezenas de nações. Em 2004, na Ilha de Manhattan, Nova York, foi erguido um tributo em homenagem às Torres Gêmeas, que vieram abaixo em 11 de setembro de 2001, e às vítimas daquele dia. Esse tributo foi feito com luz, que simboliza a presença daquelas torres no lugar onde sempre estiveram. Podemos admitir a existência de um conteúdo artístico no uso da luz, seja no caso do Chipre ou em Nova York, mas a origem do caráter simbólico foi uma motivação não artística. Estou tentando dizer que a arte pode ter outras origens além do berçário da imaginação. De todo modo, vejo o conteúdo artístico no uso simbólico da luz, uma vez que a arte, em muitos casos (pintura, arquitetura, música, teatro, cinema, dança etc.), possui função simbólica numa sociedade.





A FUNÇÃO SIMBÓLICA

Cada sociedade desenvolveu seus valores (materiais e imateriais). Apresentei dois exemplos de como a luz se encontra associada ao valor da terra (a pátria), com estrelas, luz e sol figurando em bandeiras de todos os continentes, bem como o valor cultural representado pela arquitetura de uma cidade (as duas torres do World Trade Center) que, ao mesmo tempo, representava na monumentalidade dos edifícios a magnitude do sistema capitalista. Tanto a montanha no lado turco da ilha de Chipre quanto o terreno vazio de Manhattan podem ser vistos como espaços de uma sociedade que foram tratados cenicamente pela iluminação, esta utilizada como símbolo dos valores sociais das duas nações citadas. Uma interface entre arte e política.

Farlley Derze é professor do Instituto de Pós-Graduação, diretor de Gestão e Pesquisa da empresa Jamile Tormann Iluminação Cênica e Arquitetural e membro do Núcleo de Estética e Semiótica da
UnB. Doutorando em Arquitetura.
E-mail:
diretoria@jamiletormann.com

 
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