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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
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Lugar da verdade |
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Quem tem um, não tem nenhum
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por Enrico de Paoli
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Quando gravávamos em fita analógica, não existia backup. Na verdade, não tinha como. Se copiássemos aquele rolo de fita, a cópia seria então uma segunda geração, nunca uma réplica. Eventualmente isso era feito por segurança em situações que colocavam em risco grande as masters, como o envio de tapes para outro país para masterizar o projeto. Obviamente, as originais eram enviadas, mas cópias eram eventualmente feitas por precaução.
Com os avanços da tecnologia de gravação em hard disk, hoje, fazer uma cópia dos seus arquivos é simples e rápido. E a cópia é realmente idêntica ao arquivo original. Isso não parece nada demais, mas é um super avanço. A simples possibilidade de ter o projeto espalhado em mídias diferentes, CD-data, DVD-data, HDs, e todos sendo primeira geração, não apenas facilita demais a produção, com profissionais trabalhando simultaneamente em diversos estúdios, mas também torna praticamente nula a possibilidade de perda do projeto por falta de backups. Ou, ao menos, deveria...
Mas parece que nem todos nós usufruímos dessa facilidade da tecnologia. É normalmente muito mais gostoso usar do que cuidar. Diversas vezes recentemente recebi projetos em hard disks. Ao perguntar para o produtor sobre o backup, ele fez cara de espanto, falando algo tipo: "backup? o projeto taí! Esse HD é novinho e é meu. Comprei só pra isso." Sim, a tecnologia parece cada vez mais bem resolvida e menos falha... Mas o que aconteceria na sua vida se hoje o seu HD novinho falhasse? Quais seriam os prejuízos reais? Não teria muito problema pra você gravar tudo de novo? Acho que eu sei a sua resposta...
E se o projeto não for exatamente seu? No meu caso, por exemplo. Recebo com freqüência projetos a serem mixados e/ou masterizados. Não existe espaço para perder o projeto de um cliente. TUDO o que entra na minha lista de projetos tem que existir em pelo menos mais de um lugar. Nunca em um só, se aquele meu HD novinho falhar, na verdade isso tem que não significar NADA pra mim, e não o pior dia da minha vida!
Bem, no início do projeto, essa manobra é fácil. Basta arrastar a pastinha da música para outro HD. Vale lembrar que é extremamente recomendável você trabalhar com três HDs: um deles com o sistema e aplicativos, outro com os arquivos do projeto (sessões, pasta de audio files, pasta de fades, etc), e um terceiro para backups (cópias de segurança).
Com o evoluir do projeto, gerenciar os backups pode ficar um pouco confuso. Digamos que, em determinado dia, você grave metais e cinco músicas do seu projeto. No final do dia, você tem que lembrar que músicas foram essas, e o que exatamente gravou em cada uma. Digamos que uma dessas músicas ganhou apenas três solos de sax, em outra, você gravou sax, trompete e trombone em três refrões, dobrados três vezes. Bem, só aí você já tem uma penca de novos arquivos de áudio (audio files). Mais precisamente 3 × 3 × 3 = 27. Isso, 27 novos arquivos de áudio, fora emendas e ambiências, que provavelmente existem. É fácil de repente você ter um mar de novos arquivos. E ainda tem as outras músicas... No fim de um dia cansativo, é bem provável que você não se lembre de todos. E se deixar pra o dia seguinte, provavelmente não lembrará mesmo. Qual então a solução?
Existem várias. Você pode arrastar a pasta toda novamente para o HD de backups. Porém, se o projeto estiver tomando proporções grandes, esse processo pode levar muito tempo. Outra opção seria selecionar a organização da sua janela no Finder > Desktop (área de trabalho) de forma que ela te mostre os arquivos por ordem de criação e não alfabética. Assim, fica bem mais fácil ver os últimos arquivos criados, e eles não aparecerão misturados com os outros da música. Esse é o método que eu usei durante muito tempo. Mas, mesmo assim, é trabalhoso, e depois de um dia cansativo, não deixa de ser um método com algum risco de erro do usuário (usuário = você, muito cansado).
Por fim, mais uma opção e de longe a melhor. Se você é um usuário de Mac, faça imediatamente o download gratuito de um programa chamado SilverKeeper, fabricado pela LaCie. Esse programinha te permite mostrar onde está sua pasta de sessões e onde está esta mesma pasta no HD de back-ups. Quando você então clica para atualizar seus back-ups, o programa faz rapidamente uma varredura e vê tudo o que foi modificado na sua pasta de trabalhos e compara com a mesma pasta no HD de backups.
Rapidamente ele copia o que foi modificado, inserido, adicionado, e apaga o que não mais existe na pasta de uso e ainda existe na pasta de backups. Vale lembrar que ele só altera e atualiza a pasta de backups, tornando-a uma réplica da pasta em uso. Você não precisa pensar em nada. Basta clicar em Go.
Não tenho costume de falar de softwares específicos, marcas, modelos e sim de divulgar métodos de trabalho que se mostram úteis pra mim a cada mês. Porém, nada pode ser mais útil do que preservar seus projetos (e conseqüentemente seus clientes). Dito isso, poucas coisas são tão traumáticas e causam tanto prejuízo quanto perder seus arquivos, ou pior, arquivos que não são seus. Esse programinha SilverKeeper pode ser muito, mas muito útil nessa precaução. Se preferir outra opção, tudo bem. Se for usuário de PC, com certeza existe algo similar. Porém, façam seus backups. Quem tem um, poderá de repente não ter mais nenhum.
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Enrico De Paoli mixa e masteriza em seu Incrível Mundo Studio, projetos de toda parte. Cartas@enricodepaoli.com
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SOBRE O AUTOR |
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Enrico De Paoli é engenheiro de gravação e mixagem ou sound designer. Agora com seu INCRIVEL MUNDO das MIXAGENS, recebe projetos de todo o país para serem mixados, de forma que o cliente fica online
Para entrar em contato, escreva para cartas@enricodepaoli.com.
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